quarta-feira, 25 de maio de 2011

Morre Abdias do Nascimento, Um guerreiro.

“Meu coração tropical está coberto de neve” Morre Abdias do Nascimento, que Olorum o receba na sua graça."

Morre não só um ex-senador da República, um ex-deputado, um militante do movimento negro, morre, como ele mesmo disse uma vez na plenária do senado: 
“Um sobrevivente do maior holocausto já vivido por um povo na História da Humanidade: mais de 200 milhões de assassinatos entre os portos de embarque na África, os porões dos navios negreiros, e as Américas. São 500 anos de escravidão no Brasil, escravidão que ainda perdura nas formas vergonhosas de opressão, da humilhação e da discriminação racial. Estão ouvindo, srs. Senadores, um filho desse povo heroico construtor de civilizações milenares, que veio acorrentado para as terras “recém-descobertas” das Américas.” 

E foi contra essas escravidão e opressão que Abdias lutou pela vida toda, como um incansável combatente. Deixo aqui meu pesar por sua morte, mas sei que essa hora o panteão de Orixás estão felizes por recebê-lo, fica para nós o seu legado de luta e coragem. 

O que eu admiro em Abdias do Nascimento é a sua irredutível consciência racial. Por outras palavras: trata-se de um negro que se apresenta com tal, que não se envergonha de sê-lo e que esfrega a cor na cara de todo mundo.

Franca, S. Paulo, 14 de março de 1914  a 24 de Maio de 2011 na cidade do Rio de Janeiro.

Por Rosangela Fonseca
  

Rosangela é pesquisadora e admiradora da obra e da vida de Abdias do Nascimento.

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